Marco Milazzo & Associados

 

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Arquitetura Híbrida I

Saturday, September 19th, 2009

Arranha-céus de Uso Misto

Texto Adaptado da revista a+t 31 de Martin Musiatowicz

http://www.aplust.net/pdf_revistas/VGubEgOH_a+t%2031.pdf


O vigor da arquitetura híbrida e a arte do “mixing”

Um grande número de projetos sendo construídos, especialmente pelo mercado imobiliário especulativo, requerem múltiplas funções a serem alojadas em conjunto. A concentração de várias atividades em uma estrutura, como descrito por Steven Holl, coloca pressões sobre a arquitetura e tem uma capacidade de “… dilatar e deformar um edifício de uma única função” (1).

O atual boom na alta densidade dos edifícios tem sido alimentada em parte pela explosão econômica, pelos valores astronômicos dos terrenos, e pelo aumento das zonas econômicas emergentes, em particular a China, ao longo dos últimos vinte anos. A tendência crescente entre os arquitetos em lidar com este problema tem resultado no ressurgimento do edifício híbrido, principalmente na solução denominada “soma de todas as partes”, a concentração e a hibridação é cada vez mais entendida como uma forma de dar vida à construção, a seus usos individuais, e ao seu tecido urbano envolvente.

Linked Hybrid - Steven Holl Architects

Linked Hybrid - Steven Holl Architects


A História dos Prédios Híbridos

A idéia dos prédios híbridos de usos mistos não é nova. Ao longo da história, a densidade, o valor dos terrenos e da sobreposição de funções foram intrinsecamente ligados. Na antiguidade, as cidades-estados desenvolviam fronteiras e muros, a fim de defender e separar os civilizados dos selvagens (2). As principais formas de circulação e transporte de mercadorias por grande parte da população na época teria sido a pé. Assim, programas como o local de trabalho, comércio e habitação foram localizados, ou no mesmo espaço ou empilhados em cima uns dos outros e, em muitos casos, havia pouca ou nenhuma distinção entre salas ou funções. Com a disputa pelos espaços, a cidade confinada significava que qualquer expansão ou construção necessitava de fusões e sobreposições, e conseqüentemente, alta densidade. As funções, ao invés de serem localizadas em regiões isoladas da cidade, preenchiam qualquer espaço vazio disponível, e uma vez que as cidades cresceram, se formaram uma única entidade híbrida constantemente mudando e evoluindo.

Com o aumento da mobilidade e do longo alcance dos sistemas de defesa a cidade rompeu seus limites, se dispersando, e a partir deste ponto, a metrópole moderna evoluiu, expandindo-se em estruturas individualizadas por toda a paisagem (3). A expansão que se desenvolveu abriu o acesso a uma nova divisão de terras, permitindo maiores e mais acessíveis propriedades fundiárias. As terras mais baratas não só removeram a pressão para que os programas compartilhassem o espaço e maximizassem a utilização das terras, mas também apresentou uma estratégia de delimitação e controle de grandes áreas. A dispersão de assentamentos e postos militares avançados foi um método dos Estados expandirem suas extensões de terra constantemente através da ocupação, um bom exemplo é o Império Romano. Mais tarde, a revolução da mobilidade trazida pela Era Industrial facilitou o advento da moderna teoria social de planejamento, promovendo a segregação das funções de vida, trabalho, compras e fabricação – não só em edifícios individuais, mas também em zonas exclusivas nas cidades.

A forma da cidade passou a ser definida por um planejamento funcional que ordenasse o controle de doenças, a poluição e principalmente o valor das terras.

Até o lançamento do catálogo de Joseph Fenton, em 1985, os edifícios híbridos tinham sido ignorados como um tipo único de edifício, geralmente agrupados em “mixed-use”. Fenton argumentou que havia uma nítida diferença entre as construções híbridas e de utilização mista, onde os programas individuais se relacionam e começam a compartilhar seus usos.

Torre Spina - ÁBALOS+SENTKIEWICZ, LEÓN LÓPEZ DE LA OSA

Torre Spina - ÁBALOS+SENTKIEWICZ, LEÓN LÓPEZ DE LA OSA

O conceito de hibridização veio da genética e refere-se à reprodução cruzada de espécies diferentes. Enquanto no passado, os usos foram muitas vezes combinados em uma única estrutura, por exemplo, a loja-casa ou a ponte habitada, como a Ponte Vecchio, o edifício híbrido em grande escala não aparece até o século XIX (4). A escalada dos valores dos terrenos nos centros das cidades exigiram novas formas de desenvolvimento. Estruturas de aço e a invenção do elevador, em meados do século, revolucionaram a construção e permitiu que as estruturas se verticalizassem assinalando a ascensão do arranha-céu. Com essas ferramentas, os arquitetos e construtores transferiram sua abordagem para a necessidade de construções especulativas com o máximo de volume e área útil para tornar mais valioso os bens imobiliários. Sua incapacidade para preencher as novas torres com uma única utilização levou a uma combinação de programas e através deste o surgimento dos edifícios híbridos(5).

O catálogo de Fenton apresenta uma seleção de exemplos americanos (e ele defende que eles têm evoluído fora das condições da metrópole americana) agrupando-as em:
Híbridos adaptados a volumetria imposta pela malha urbana da cidade;
Híbridos Enxertados que expressam cada programa como um volume distinto dentro da forma resultante do edifício;
Híbridos Monolíticos, onde os elementos programáticos são incluídos em um envelope contínuo (6).
Os edifícios híbridos se diferenciam de outros tipos de mega construções por se ajustarem a malha urbana e estarem contidos dentro de um único edifício.

Não podemos entretanto desprezar a influência dos códigos urbanísticos nesta evolução. A criação das normas de zoneamento de Nova York em 1916 limitaram a mistura de ‘usos funcionalmente incompatíveis’ em edifícios e em certas partes da cidade, designando bairros estritamente residenciais, retardando a evolução dos edifícios híbridos (7). Versões desta política foram adaptadas e estão ainda em uso em muitas cidades de todo o mundo,como as cidades brasileiras .

Atualmente, o aumento do valor dos terrenos, unida a um abandono de ideais de segregação urbana, assim como os avanços nas tecnologias ambientais, promoveram alterações nas leis, e agora promovem a mistura de funções, em uma tentativa de dinamizar a cidade.

Scala Tower - BIG

Scala Tower - BIG


O Retorno do Híbrido

A nova ordem profetizada pelo modernismo na realidade não foi capaz de, na prática, lidar com a complexidade da vida real. As críticas do pós-modernismo à esta situação trouxeram um  ressurgimento do interesse pela experimentação de novos programas e pelo desafio aos modelos tipológicos predominantes.

Mais importante ainda, o pensamento pós-estruturalista criou uma situação que permitia os conceitos dialéticos, e neste caso, as funções passam a co-existir e a se interligarem.

Vários escritores e arquitetos têm se ocupado nas últimas três décadas a explorar as implicações do programa na forma arquitetônica.

Rem Koolhaas, em especial, identificou as condições únicas dos Arranha-céus de Manhattan em seu livro “Nova York Delirante” (1978). Diferentemente do relato zoológico dos híbridos de Fenton, Koolhaas identificou uma qualidade genérica do arranha-céu, que permite uma quase infinita combinação de programas co-existirem em pisos separado (8).

O Downtown Athletic Club, que também aparece no catálogo de Fenton de edifícios híbridos, fascina Koolhaas, por sua “serenidade” e forma monolítica exterior escondendo o melhor do “congestionamento urbano” e é como “… um condensador social construtivista: uma máquina de gerar e intensificar as formas de relações humanas (9).”

Se olharmos para quase qualquer cidade do mundo de hoje, existe um constante fluxo na programação do tecido genérico da cidade, que permite estas justaposições e cujo desenho é quase impossível de controlar.
Estas primeiras observações têm repetidamente aparecido no trabalho de Koolhaas e seu escritório, o Office for Metropolitan Architecture (OMA). Nos experimentos como o Hyperbuilding (1996), que foi concebida como uma nova cidade dentro de um edifício ou mais recentemente em outros projetos de torres especulativas como em New Jersey. E embora tenha previamente defendido as grandes construções como “o melhor” da arquitetura, por si só a escala não é o pré-requisito para a concentração, e a crítica do OMA às tipologias usuais e a indeterminação dos programas foram introduzidas em seus edifícios menores e até em parques como foi o caso em seus projetos para a competição Parc de la Villette, em Paris e também para o Downsview Park em Toronto.

Nos últimos anos o interesse em técnicas híbridas voltam a surgir, em grande parte facilitadas por uma série de fatores econômicos e políticos. Em primeiro lugar, o boom imobiliário global impulsionado pelo crescimento econômico da China e do Médio Oriente criou um clima em que desenvolvedores estão cada vez mais interessados em maximizar as áreas construídas, buscando o melhor aproveitamento dos terrenos combinando múltiplos programas. No entanto, ao contrário de períodos anteriores, como na década de 1980 e no “dot com boom”, o ambiente é menos receptivo à especulação por ter aprendido as lições dos quilômetros quadrados de espaço para escritórios vazios que apareceram na recessão que se seguiu (10).

Atualmente, os inquilinos são procurados nas fases iniciais do processo de design (o chamado “venda na planta”), permitindo a captação de dinheiro antes da construção, permitindo que os grandes clientes possam estar envolvidos no processo de concepção, ao invés de simplesmente alugando contêineres vazios que deve adaptar-se mais tarde. Esta necessidade de criar espaços específicos está levando os arquitetos a resolver o programa ao invés de projetar o máximo de flexibilidade possível como antes.

Há também os desenvolvedores cada vez mais interessado no “estilo de vida”, eles entendem que a complexidade é inerente à cidade e à mistura de usos diferentes devem ser utilizados para estimular o que de outro modo seria apenas uma colagem de usos diversos.

Juntamente com isso, foram adicionadas recentemente as políticas destinadas a construção de novos bairros ou regenerar bairros existentes que exigem que os desenvolvedores incluam o uso misto e os programas públicos. Nesse sentido, o geógrafo Jane Jacobs enfatiza o papel central da diferenciação e da diversidade em tornar as cidades “que parecem cidades” (11), de modo que a heterogeneidade e os congestionamentos, que também fascinam Koolhaas, sejam usados na promoção de empreendimentos habitacionais novos, destacando a diversidade de experiências, práticas e pessoas. E, embora, infelizmente, estas imagens muitas vezes sejam apenas anúncios de panfletos e propagandas, os arquitetos têm a capacidade de defender idéias de usos mais distintos e de novas combinações de programas.

Juntamente com o desenvolvimento especulativo, os preços dos terrenos e dos custos de construção obrigaram muitas instituições cívicas, também afetadas por cortes de gastos que muitos governos estão sofrendo, a buscar novas formas de financiamento (12). Isto conduz normalmente a combinar usos tradicionais, como um museu ou biblioteca, com espaço comercial.

Às vezes basta simplesmente inserir alguma espaço para atividades de vendas ou eventos  acompanhando o programa principal para aumentar os lucros. Em outros casos mais extremos pode chegar ao combinar o museu, com lojas, habitações e escritórios para obter um rendimento máximo, ou simplesmente tornar o projeto viável. Neste sentido, o Seattle Art Museum projetado pela Allied Works é um bom exemplo: ele combina o museu com a sede de um banco, que financiou a operação através da construção de espaço flexível que pode acomodar outras utilizações no futuro. Um caso semelhante é o projeto Scala Tower, em Copenhague, do escritório BIG, que combina uma nova biblioteca pública com hotéis, lojas e escritórios.

Estes exemplos onde algumas aplicações beneficiam outras, para além das implicações espaciais da mistura de programas, estabelecem uma estreita relação entre cultura e comércio, indo para o plano financeiro. Essas grandes combinações de escala têm outra peculiaridade: cada programa é obrigado a ceder uma parcela de sua individualidade.

Como resultado, instalações públicas alojando até agora icônicos edifícios e monumentos ao redor da cidade começam a formar parte do tecido da cidade. Ao adicionar uma loja ou um café em um museu, ele não perde o seu caráter como um ícone, adicionando um edifício de 60 andares para uso com salas comerciais, hotéis e escritórios, o museu passa a fazer parte de um grande edifício icônico.

Muitos dos edifícios recentes ou propostas que prevêem a hibridação de usos ou qualquer tipo de “química” poderia ser ajustado para as categorias descritas por Fenton em seu catálogo. No entanto, esta classificação se deve mais à sua formalização final de estratégias de design. Por este motivo, deve-se classificar os híbridos com base em uma série de tendências que poderiam ser utilizadas como estratégia para lidar com a diversidade e densidade.

Bundle Tower - MASS STUDIO Bundle Tower – MASS STUDIO


Híbrido compacto

Esta é a tendência para reduzir a expressão formal de cada programa, e neste sentido não dominam a expressão moderna da função, como ocorre nos enxertados híbridos de Fenton. Esta abordagem permite a independência entre a imagem externa do edifício e sua organização interna programática está presente em todas as escalas, desde pequenas a grandes edifícios.


Cidades dentro de cidades

Este é o caso dos prédios híbridos que unem todos os usos de uma cidade inteira. Impulsionada pelo ritmo da construção no Oriente Médio e Ásia-Pacífico, os grandes edifícios fora dos centros urbanos hospedam um grande número de funções suficientes para torná-los auto-entidades independentes, necessário devido à sua localização remota. A necessidade de projetá-los com a diversidade presente na cidade os convertem em microorganismos ou edifícios-cidades. Além disso, quando o território circundante é um ambiente hostil como um deserto, estes edifícios apresentam um espaço protegido para os seus habitantes como se fazia na antiga cidade murada.

Existem inúmeros exemplos teóricos de tais híbridos, como o OMA Hyperbuilding ou utopias como a Sky City 100, Takenaka Corporation, um arranha-céu de 1.000 metros, habitada por 135.000 pessoas. Mais recentemente, e em construção, o híbrido de Steven Holl em Shenzhen e Pequim caberia dentro desta estratégia.


Estruturas Fundidas

Uma conseqüência dos altos edifícios arranha-céus é a complexidade de sua estrutura, cargas de vento muito forte e infra-estrutura necessária para prestar o serviço e permitir o acesso público. A torre única exige, cada vez mais, elevadores mais e mais rápidos, mais tubulações e instalações, o que é mais importante, uma estrutura capaz de sustentá-la. Por esta razão, os núcleos estruturais necessário consomem mais e mais espaço, fazendo com que os projetos sejam economicamente inviáveis. Uma solução para este problema é a deformação do núcleo estrutural e da pele exterior para triangular as cargas. Este é o método utilizado pela SOM para levantar a torre Burj Dubai, que será superior a 800 metros de altura.

Outra opção consiste em  agrupar  vários elementos ou torres, que juntos formam um único sistema. É o caso da Praça Museum, em Louisville, do escritório REX, que também usa essa estratégia para maximizar o uso de pequenas parcelas do terreno, diminuindo sua área no pavimento térreo, conectando as torres no 23° andar. Se cada parcela fosse utilizada individualmente, reduziria a escala, tanto estrutural quanto economica.


Justaposição Seccional e Indeterminação Espacial

Parece haver uma tendência geral em reduzir a programação específica das edificações, aumentando o seu nível de incerteza, levando à sobreposição de programas sobre o mesmo espaço. Segundo Koolhaas, a planta baixa era a protagonista quando apareceram os arranha-céus, enquanto hoje o papel principal são dos cortes e das perspectivas feitas pela computação gráfica tridimensional. Assim, a tradicional separação vertical, o resultado do empilhamento de plantas, está dando lugar à distribuição do mesmo programa em diferentes níveis, como nos projetos da OMA para a Biblioteca de Jussieu e da Biblioteca Pública de Seattle que, embora não combinem diferentes usos urbanos no interior, abrigam uma certa programação hibrida.


Paisagens Integradas

Estimulada em parte por incentivos do governo e em parte pelo interesse no espaço coletivo, muitos híbridos incorporam a esfera pública, adicionando a superfície da cidade à sua estrutura ou distribuído verticalmente em lugares altos, jardins e galerias. Assim, tanto o espaço público como a paisagem são hibridizados com outros usos urbanos.

É o caso do Office DA Kuwait Sports Clube de Tiro, onde um grande deck articula com muitos programas e espaços públicos em torno do edifício. Outros exemplos são baseados em uma série de volumes conectados ou paisagens construídas e espaços vazios, como o Projeto Arquitetônico Moussaka em Atenas, do JDS Arquitetos, ou Asane, em Bergen, do escritório Transform. Enquanto isso, o edifício Scala, do escritório BIG em Copenhague critica a “mudez” exterior das torres monolíticas e mistura a fachada do prédio com a rua e a praça adjacentes através de diversos terraços na fachada, o que torna a pele do edifício uma continuidade do espaço público.

Porque estamos interessados em tais tendências e no ressurgimento de híbridos na construção? Em primeiro lugar, as condições que permitiram e demandaram a evolução dos edifícios híbridos ocorreram simultaneamente com a constante renegociação e evolução do espaço público em relação à cidade, desde a cidade fortificada que protegia os civilizados do inexplorado, até o formalismo dos espaços públicos da cidade metropolitana, e até o atual momento, em uma nova definição de espaço público, disperso em um mundo interconectado.

Em alguns casos, esta evolução é paralela à crescente escassez de terra, a subida dos preços e a necessidade de colocar novos modelos de uso do solo urbano, combinando programas aparentemente, ou tradicionalmente incompatíveis. Em outros exemplos, a densidade e a diversidade que criam os híbridos podem ser utilizados como uma ferramenta para a regeneração dos centros, que devido ao crescimento dos subúrbios e da legislação restritiva foram abandonados, como os distritos de escritório lutando para sobreviver, cheia de edifícios com pouca ou nenhuma relação com o ambiente. A intensificação criada pela mistura de usos e do conjunto de funções públicas e privadas, e que integra o espaço urbano envolvente em edifícios novos, facilita a reintrodução da vida cívica nestes centros vagos. Contra o modelo funcionalista de um tamanho único para todos, essa visão considera a complexidade da cidade moderna que favorece que a condição híbrida exista, não só a nível de macro-programa, que reúne várias organismos distintos, mas na sua progressão de espaços individuais à escala urbana.

The Edge - RCR ARQUITECTES

The Edge - RCR ARQUITECTES


Notas


1 Holl, S. Foreword to Pamphlet Architecture no. 11: Hybrid Buildings, Princeton Architectural Press, New York, 1985, p.1
2 Nijenhuis, W. ‘City Frontiers and Their Disappearance’, Architectural Design, v. 64, n. 3/4, 1994, p.14
3 Nijenhuis, W. pp. 15-16
4 Fenton, J. ‘Hybrid Buildings’ in Pamphlet Architecture no. 11: Hybrid Buildings, Princeton Architectural Press, New York, 1985, p. 5
5 Fenton, p. 5
6 Fenton, p. 7
7  http://www.nyc.gov/html/dcp/html/zone/zonehis.shtml
8 Koolhaas, R. Delirious New York, Thames and Hudson, UK, 1978
9 Koolhaas, R. p. 128
10 Canary Wharf in London being a case in point
11 Jacobs, J. Hybrid Highrises, 2005, online papers archived by the Institute of Geography, School of Geosciences, University of Edinburgh
12 See: Newhouse, V., Towards A New Museum, New York: The Monacelli Press, 1998