Marco Milazzo & Associados

 

Archive for the ‘Arquitetura’ Category

MuMa – Museu do Meio Ambiente

Monday, May 17th, 2010

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Projeto desenvolvido para o concurso nacional para o Museu do Meio Ambiente do Rio de Janeiro – MuMa no complexo do Jardim Botânico. Autores: André Thurler, Marco Milazzo, Tom Caminha e Rafael Koury.

MuMa - Museu do Meio Ambiente

MuMa - Museu do Meio Ambiente

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O Partido

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Diante da possibilidade de intervir em um conjunto histórico da magnitude do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, sobretudo em sua entrada, aberta ao público e marcada por arquiteturas de valor histórico e artístico, consideramos fundamental estabelecer uma relação harmônica entre o conjunto pré-existente e as novas intervenções. Assim, a integração com a paisagem se converte em um partido adotado no projeto, tanto na arquitetura quanto no paisagismo, valorizando as interfaces com o Jardim Botânico e os prédios históricos. Desta forma, é atribuído à paisagem o papel de protagonista do espaço, onde as edificações se inserem de forma sóbria, demonstrando suas características particulares sem competir por atenção.

MuMa - Museu do Meio Ambiente

MuMa - Paisagismo

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A Escala

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Considerando a situação das duas intervenções arquitetônicas, cada qual ao lado de um edifício histórico preservado, procuramos estabelecer uma escala tal que a dimensão das novas construções não competissem com a dos seus vizinhos, estabelecendo uma hierarquia que valoriza o conjunto histórico. Esta relação de escala ocorre sem prejuízo da qualidade arquitetônica das novas edificações nem do programa estabelecido. Através de recortes no terreno e pavimentos semi-enterrados, o impacto visual dos edifícios foi amenizado sem reduzir o espaço necessário para as atividades do Museu.

MuMa - Museu do Meio Ambiente

MuMa - Prédio do Anexo

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A Linguagem

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Entendemos que a Arquitetura deve revelar o seu período histórico de construção, através da técnica, uso dos materiais e, sobretudo, da linguagem resultante do projeto. Deste modo, nossas propostas seguem uma linha projetual contemporânea, tanto no paisagismo quanto na arquitetura, respeitando o conjunto histórico sem procurar reproduzi-lo. Tal postura permite o entendimento claro dos diferentes períodos que deram forma ao espaço, sem estabelecer ruptura ou estagnação do processo histórico, nem destacar um determinado estilo arquitetônico sobre os demais. O mesmo se aplica ao novo paisagismo, que propõe uma continuidade com o jardim preservado, incluindo elementos contemporâneos, como os canteiros de aço patinado e os desenhos geométricos, inspirados no modernismo brasileiro. Além da coerência com o período contemporâneo, também procuramos estabelecer uma relação entre as novas arquiteturas, que demonstre certa unidade projetual. Esta unidade foi obtida, apesar das diferenças impostas pelas particularidades de cada edifício, em função de qualidades tectônicas semelhantes. A arquitetura assume, então, um caráter expressivo, que se integra ao conjunto de forma harmônica e elegante.

MuMa - Praça Baixa

MuMa - Praça Baixa

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A Sustentabilidade

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Consideramos sustentabilidade um conceito ainda em formação, atravessado por diferentes matrizes discursivas, que resultam em estratégias projetuais variadas. Deste modo, descartamos qualquer norma ou modelo engessado de arquitetura “verde” e orientamos nosso projeto segundo três eixos fundamentais para o seu equilíbrio sócio-ambiental: Eficiência Construtiva, Conforto Ambiental e Integração com a Paisagem. Apesar do forte apelo dos projetos ditos “ecológicos”, optou-se por não fazer deste conceito a questão única da proposta, uma vez que a relação harmônica com o meio ambiente é apenas uma de várias condições primordiais da boa arquitetura.

MuMa - Museu do Meio Ambiente

MuMa - Prédio Auditório/Administração

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O Jardim

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O traçado do paisagismo se integra ao conjunto histórico através da continuidade dos fluxos, minimizando o contraste entre o pré-existente e o projetado. A leitura dos diferentes períodos históricos se dá pela variação dos materiais e pelas linhas dos novos canteiros. Assim, fica preservado o jardim da residência Pacheco Leão em harmonia com o novo paisagismo, de modo que ambos são valorizados.

Além da linguagem contemporânea adotada no paisagismo, outra preocupação do projeto foi com a permeabilidade das superfícies. Os materiais adotados como piso ajudam na drenagem das águas pluviais, evitando empoçamento e permitindo que a chuva se infiltre no ponto onde está caindo. A redução do volume de água captado pelo sistema de drenagem urbano contribui para evitar enchentes em outras áreas da cidade. Além disso, parte da água deverá ser coletada e armazenada em uma cisterna, onde poderá ser utilizada para a jardinagem ou até mesmo para o reuso nos edifícios.

A opção por elevar determinados canteiros se justifica pelo aproveitamento de parte da terra retirada para a construção dos novos prédios. Estes canteiros, emoldurados por uma borda de aço, se convertem em elementos escultóricos que complementam o paisagismo. Optamos por uma vegetação exuberante e variada, aproveitando o acervo botânico do próprio Jardim e as árvores transplantadas, criando uma ambiência agradável e adequada ao clima.

Em função da já grande quantidade de árvores de médio e grande porte existentes na área de intervenção o projeto não prevê o plantio de novos exemplares evitando prejudicar a visibilidade das edificações históricas. Portanto, a proposta mantém seu foco no redesenho dos pisos, canteiros e vegetação de forração.

MuMa - Museu do Meio Ambiente

MuMa - Paisagismo

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O Museu

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O acesso principal ao Museu do Meio Ambiente permanecerá na porta frontal do Edifício Histórico onde serão localizados a Recepção, Foyer, Bilheteria e Ponto de Informações. Nos ambientes laterais com alteração de uso permitida, será inserida a área de Guarda Volumes e a área para Acolhimento dos Grupos Escolares. O acesso de pessoas com dificuldades de locomoção será feito pelo elevador existente, localizado nos fundos da edificação. A partir deste ponto, o visitante é direcionado para as áreas de exposição até o segundo pavimento e de lá para o Anexo, através de uma passarela. No Anexo o circuito segue de forma descendente pelo edifício terminando em um nível semi-enterrado, aberto para uma área de exposição ao ar livre. Neste espaço intersticial foi realizado um recorte no terreno, criando uma praça que une a saída do Anexo à Cafeteria e a Loja do Museu, localizados no porão do prédio histórico.

O projeto do anexo resulta de um estudo volumétrico que priorizou a relação com o Edifício Histórico, respeitando sua proporção. A partir da área de projeção máxima se verificou que o programa exigido para a área de exposição poderia se desenvolver em pouco menos de três pavimentos inteiros. Em seguida, foi feita uma regularização da área de projeção, dando maior afastamento ao edifício em relação à pérgula e algumas árvores do arboreto. A criação do pavimento semi-enterrado reduz o impacto vertical da construção e nivela pontos estratégicos dos dois prédios, permitindo uma ligação através de passarela. Finalmente, o terceiro pavimento foi dividido entre a área de exposição e um terraço voltado para o jardim histórico, o que ameniza ainda mais o impacto visual do edifício frente ao seu vizinho no trecho onde essa relação se torna mais evidente.

Propomos um sistema de estrutura metálica, material reciclável, com pilares locados apenas nas laterais do edifício e vigas transversais altas. Desta forma, é criado um espaço entre forro e laje de piso para que se desenvolvam as instalações prediais de forma independente da conformação dos ambientes internos. A planta livre, associada a uma variação do pé-direito nos diversos pavimentos garante a flexibilidade do projeto museográfico, que conta com espaços de alturas e dimensões diferentes.

Entendemos que devido à sua natureza audiovisual o museu pressupõe uma arquitetura hermética que permite um maior controle da iluminação em seu interior. Portanto, a partir de um volume fechado, foram criadas apenas aberturas pontuais com o intuito de criar visadas específicas da paisagem circundante de modo a incluí-la na própria exposição. Propõe-se ainda a instalação de painéis móveis de treliças de madeira (referência aos muxarabins / muxarabim) sobre estas aberturas criando assim um recurso de controle de incidência solar. O sistema de vedação com placas duplas de madeira deixa espaço para um material isolante termo-acústico, complementando a adequação climática.

MuMa - Prédio Anexo - Vista das Escadas

MuMa - Prédio Anexo - Vista das Escadas

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Auditório e Administração

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Seguindo o partido de prevalência da paisagem pré-existente em relação às novas intervenções, o projeto do auditório e administração respeita a escala da residência Pacheco Leão, não ultrapassando 6,5m de altura. Assim, o bem tombado pode ser observado de forma mais adequada, inclusive do terraço da nova edificação. Isto foi conseguido com a criação de um pavimento semi-enterrado, contíguo a um recorte no terreno onde se desenvolve um anfiteatro ao ar livre. O paisagismo abraça a arquitetura, definindo as linhas do recorte de forma a criar uma continuidade com o restante do projeto.

Outro fator que contribui para a redução da escala é a disposição de rampas ao redor do prédio eliminando a necessidade de elevador e seu maquinário. Da mesma forma, o acesso ao pavimento semi-enterrado e aos níveis rebaixados do terreno é feito por rampa acessível e escadas. Esta solução garante o livre fluxo de pessoas com dificuldades de locomoção por todo o edifício.

As rampas são protegidas por uma estruturar metálica modular com placas alternadas de madeira (opacas), brises (também de madeira) e canteiros verticais, criando um invólucro dinâmico para o edifício e controlando a incidência solar direta. Todos os ambientes internos do prédio podem ser iluminados naturalmente e possuem ventilação cruzada, reduzindo gastos com energia elétrica.

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Mais imagens:  0102 - 03 - 04 - 05 - 06 - 07 - 08 - 09 - 1011 - 12 - 13 - 14

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Burj Dubai – Skidmore, Owings & Merrill

Saturday, January 9th, 2010
Burj Dubai - Skidmore, Owings & Merrill

Burj Dubai - Skidmore, Owings & Merrill

05-01-2010 – Milagre da engenharia: em Dubai mais de 800 metros de aço, vidro e concreto – visível a 95 quilômetros de distância – vencedor do Guinness Book of Records. Abriu oficialmente ontem à noite, no dia do quarto aniversário da ascensão ao trono do Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, o Burj Dubai ultrapassa o Taipei 101 em Taiwan ( 508m de altura), tornando-o mais alto arranha-céus no mundo.  Assinado pelos arquitetos do estudo em Chicago SOM – Skidmore, Owings & Merrill LLP e promovido pela imobiliária gigante Emaar, o projeto sobreviveu a recente explosão financeira e imobiliária que teve seu epicentro na capital dos EAU. Uma noite de grande festa, comemorada com fogos de artifício espectaculares e projeções a laser, assistida por mais de 2 milhões de telespectadores.

A torre do Deserto possui informações impressionantes: 160 pavimentos, e 828 metros de altura, com uma área de 334 mil metros quadrados e 58 elevadores que viajam a uma velocidade de 10 metros por segundo. Lá dentro, se encontram espaços para escritórios, centros comerciais e apartamentos de luxo e o primeiro Hotel Armani do mundo (do 37 ao 45 andar), com 160 quartos e 3 mil metros quadrados de espaços para conferências e eventos. O Hotel Armani vai abrir oficialmente 18 de março do próximo ano. Um deck de observação no pavimento 124 é um dos maiores já alcançados, oferece uma vista espectacular de Dubai em 360 graus.
O projecto ambicioso – que trabalharam mais de 380 engenheiros – foi construída em cinco anos e envolveu uma despesa de mais de 4 bilhões de dólares. Foram utilizados cerca de 45 mil metros cúbicos de concreto, 330 mil toneladas de cimento e 314 mil toneladas de aço.
A concepção estrutural em formato de favo de mel com muitos elementos similares aos reforços de estruturas de aeronaves, foi feita com 430 mil metros quadrados de alvenarias, o que representa uma área duas vezes maior que dos pisos.

Claramente inspirado por uma geometria Islâmica, o Burj Dubai lembra uma flor do deserto, típica da região. A torre é composta de três elementos em vidro e concreto que se desenvolvem em torno de um núcleo central, subindo ao céu em etapas. Um contratempo em cada elemento dinamiza o corpo do edifício, uma vez que continua a sua ascensão no horizonte. Chegando ao fim, o coração da torre aparece como galhos de árvore.

O Burj Dubai foi projetado propositalmente com planta baixa em forma de  “Y” para reduzir as forças do vento sobre a torre, bem como manter a estrutura simples e fomentar a construtibilidade. O sistema estrutural pode ser descrito como um centro de apoio, onde cada asa, com seu próprio núcleo de concreto de alto desempenho e suas colunas de perímetro, reforça os outros pilares através de um dos seis lados do núcleo central. O resultado é uma torre que é extremamente forte à torção. SOM utilizou uma geometria rigorosa à torre, que alinha o núcleo central comum e as colunas para formar o edifício.

Design Sustentável
O Burj Dubai é a peça central de uma grande escala de desenvolvimento de usos mistos, composto de edifícios residenciais, comerciais, hotelaria, entretenimento, lojas e estabelecimentos de lazer, com amplos espaços verdes, recursos hídricos, alamedas de pedestres, um centro comercial e uma cidade turística.

O projeto para a torre combina influências históricas e culturais, com tecnologia de ponta para conseguir um edifício de alto desempenho que irá definir o novo padrão de desenvolvimento no Oriente Médio e se tornar o modelo para o futuro do Dubai.

Ao projetar o Burj Dubai, a equipe de design olhou para o céu para elementos sustentáveis. No clima extremamente quente e úmido de Dubai, a temperatura entre o solo (46,1 º C ou 115 º F) e o topo do edifício (38 º C ou 100 º F) pode variar em até 8 º C (ou 15 º F). Os dados de satélite foram usados para prever a queda de umidade com a altitude (até 30% de redução na umidade entre a parte superior e inferior do prédio), e a análise foi realizada para estudar a redução da densidade do ar acima do edifício (até 10%).

O Burj Dubai também tem um dos maiores sistemas de recuperação de água condensada do mundo, aproveitando até quatorze piscinas olímpicas de tamanho de água por ano, e uma das maiores pressões de água refrigerada já usada em um edifício para maximizar a eficiência. A torre é um dos primeiros a utilizar o controle de efeito ativo em um prédio super alto para minimizar a perda de energia.

Feichtinger assina o novo escritório Voest Alpine

Wednesday, December 23rd, 2009

Voest Alpine

Voest Alpine

Foi recentemente concluída em Linz, na Áustria, a nova sede do Departamento Comercial e Financeiro de Siderurgia Voest Alpine Stahl. O projeto foi assinado pelo arquiteto austríaco Dietmar Feichtinger, conhecido pelo design da passarela Simone de Beauvoir, em Paris.

O projeto, vencedor do concurso lançado em 2006, oferece a combinação de três edifícios muito diferentes que emolduram uma vasta área ao ar livre.
Uma nova plataforma de pedestres, feita 1 metro acima do terreno existente, conecta os edifícios e é coberta por elementos de concreto. O parque de estacionamento, abaixo da nova plataforma, é um espaço aberto, ventilado e iluminado naturalmente, emoldurado por paredes de vidro, algumas transparentes outras semi-transparentes.

O novo centro comercial e financeiro é uma estrutura de concreto, aço e vidro, que cresce na horizontal ao longo de uma curva dinâmica, que é cortada em uma de suas pontas. Isso cria um grande balanço, que serve como área de cobertura para a entrada do edifício.
O volume apresenta uma excêntrica fachada com uma estrutura filigranada de ouro – composta também por painéis de aço e vidros fixos.

Uma ligeira inclinação, inferior a parte saliente do novo volume, leva o usuário à entrada do centro comercial e financeiro. E este espaço aberto, totalmente envidraçado direciona a atenção dos visitantes aos painéis de aço da recepção por um lado, e a paisagem externa feita de guindastes, pilhas de resíduos e chaminés do outro lado.
O térreo da edificação abriga as funções públicas, como área de serviço para funcionários, lojas, agência de viagens e biblioteca.
O edifício está dividido horizontalmente em três zonas. Os escritórios estão localizados na área mais próxima da frente. A área central é reservada para reuniões, fornece espaços de trabalho para atividades coletivas, mas também espaços pequenos para um coffee break. As seções que dividem o prédio servem principalmente para permitir a entrada da luz natural nos ambientes.

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www.feichtingerarchitectes.com

Langley Academy – Norman Foster

Friday, November 27th, 2009
Langley Academy - Norman Foster

Langley Academy - Norman Foster

16/11/2009 - A Academia de Langley, projetada por Norman Foster + Partners foi construida pela Fundação Arbib, e foi inaugurada oficialmente. O projeto propõe repensar a experiencia da escola para seus 1.150 estudantes. A escola é revolucionária por formar os alunos em habilidades específicas, como ciência, museografia, cricket, remo e sustentabilidade. Uma escola que representa fisicamente as questões educacionais.

Projetada para ser um modelo de arquitetura sustentável, as fachadas da construção fazem parte da experiência de aprendizagem. Foi concebida como uma ferramenta ativa para educar as crianças sobre o ambiente em que vivem e de sensibilização para as questões ambientais como o aquecimento global. Dentro do edifício, os coletores solares, as áreas técnicas, os condutores elétricos e as tubulações ficam expostos, para que os alunos possam “ver” como a energia é gerada e utilizada. A água da chuva é coletada e preservada, a água cinza filtrada e reutilizada nos vasos sanitários e para irrigação e sombras são criadas por um sistema de brises verticais.

Criada em grande parte de materiais sustentáveis, como a madeira, a Academia foi concebida com vista a melhorar o seu desempenho energético ao longo do tempo e prestar vários serviços que possam adicionar outras medidas para economizar energia.

O edifício de três andares tem um grande espaço aberto, flexível, que é a entrada para a Academia e o hub principal para os estudantes. Nesta sala há muita transparência e aberturas, quase uma espécie de “galeria” de aprendizagem que conecta visualmente todas as diferentes disciplinas e os vários aspectos da vida escolar com laboratórios, laboratório de economia doméstica, restaurante e área de esportes

Todos os resultados obtidos pela escola são expostos em um único ambiente para criar um sentimento de orgulho coletivo. Salas de aulas flexíveis são organizadas em torno de espaços abertos no interior e estão configurados para se adaptar a uma variedade de métodos de ensino.

A academia também foi organizada para permitir a utilização para além do dia de aula,  por toda a comunidade, de modo que não seja apenas mais um novo espaço de  recreação e educação, mas também para promover todos os princípios de sustentabilidade e responsabilidade ambiental na sua base.

Imagens: 01020304050607080910

Cliente : Arbib Foundation (Sponsor), Department for Education and Skills, Langley Academy Trust

Consultores:  Buro Happold, Davis Langdon, Buro Happold, Buro Happold, Davis Langdon Schumann Smith, FEDRA, Sandy Brown

Stadskantoor Rotterdam

Wednesday, October 21st, 2009
OMA Stadskantoor

OMA Stadskantoor

O Office for Metropolitan Architecture (OMA), em colaboração com Werner Sobek e a ABT, ganhou a concorrência para o Stadskantoor Rotterdam, um novo prédio para a prefeitura que vai acomodar os serviços municipais, escritórios e unidades residenciais . O vencedor foi anunciado esta manhã pelo vereador da cidade Hamit Karakus.

O projeto, liderado por Reinier de Graaf e Rem Koolhaas, foi escolhido entre cinco propostas por escritórios de arquitetura da Holanda após um período de consulta pública e deliberação de um júri de especialistas, que comentou: “O design da OMA foi a combinação perfeita de inovação e adequação para o contexto envolvente. ”

O OMA concebeu um edifício modular com unidades repetidas gradualmente afastado-se da rua, se levantando em dois picos irregulares. A Composição do edifício em pequenas células cria uma forma complexa quando vista de Coolsingel, uma das principais vias de Roterdã, e permite a sutileza e a adaptabilidade.

O inovador sistema estrutural de Stadskantoor gera o máximo de eficiência e versatilidade, tanto na construção quanto no programa: As unidades podem ser adicionadas ou mesmo desmontadas da estrutura, como exige a mudança de construção ao longo do tempo, e pode se adaptar a qualquer espaço de escritório ou residenciais, os outros parâmetros desejados. Terraços verdes em níveis mais elevados oferecem a possibilidade de um apartamento com um jardim no coração de Roterdã.

A construção do conceito de flexibilidade,  juntamente com um clima regulado por ar quente armazenado no verão e lançado no inverno, e vice-versa, bem como a utilização de isolamento translúcido na fachada do prédio de vidro – permitiu que o OMA cumprisse a exigência do edital do projeto de Stadskantoor, tornando o edifício mais sustentável, na Holanda.

Reinier de Graaf, comentou: “Ao invés de posar como superlativo próxima da cidade, o projeto para o Stadskantoor é parcialmente um prédio, em parte, uma condição urbana. O projeto tenta conectar as edificações adjascentes da Câmara Municipal, dos Correios e o Stadstimmerhuis. Através de uma ambigüidade intencional, a massa mergulha na cidade com diversos períodos arquitetônicos, absorvendo as escalas e estilos de seu contexto imediato. “

Arquitetura Híbrida I

Saturday, September 19th, 2009

Arranha-céus de Uso Misto

Texto Adaptado da revista a+t 31 de Martin Musiatowicz

http://www.aplust.net/pdf_revistas/VGubEgOH_a+t%2031.pdf

O vigor da arquitetura híbrida e a arte do “mixing”

Um grande número de projetos sendo construídos, especialmente pelo mercado imobiliário especulativo, requerem múltiplas funções a serem alojadas em conjunto. A concentração de várias atividades em uma estrutura, como descrito por Steven Holl, coloca pressões sobre a arquitetura e tem uma capacidade de “… dilatar e deformar um edifício de uma única função” (1).

O atual boom na alta densidade dos edifícios tem sido alimentada em parte pela explosão econômica, pelos valores astronômicos dos terrenos, e pelo aumento das zonas econômicas emergentes, em particular a China, ao longo dos últimos vinte anos. A tendência crescente entre os arquitetos em lidar com este problema tem resultado no ressurgimento do edifício híbrido, principalmente na solução denominada “soma de todas as partes”, a concentração e a hibridação é cada vez mais entendida como uma forma de dar vida à construção, a seus usos individuais, e ao seu tecido urbano envolvente.

Linked Hybrid - Steven Holl Architects

Linked Hybrid - Steven Holl Architects

A História dos Prédios Híbridos

A idéia dos prédios híbridos de usos mistos não é nova. Ao longo da história, a densidade, o valor dos terrenos e da sobreposição de funções foram intrinsecamente ligados. Na antiguidade, as cidades-estados desenvolviam fronteiras e muros, a fim de defender e separar os civilizados dos selvagens (2). As principais formas de circulação e transporte de mercadorias por grande parte da população na época teria sido a pé. Assim, programas como o local de trabalho, comércio e habitação foram localizados, ou no mesmo espaço ou empilhados em cima uns dos outros e, em muitos casos, havia pouca ou nenhuma distinção entre salas ou funções. Com a disputa pelos espaços, a cidade confinada significava que qualquer expansão ou construção necessitava de fusões e sobreposições, e conseqüentemente, alta densidade. As funções, ao invés de serem localizadas em regiões isoladas da cidade, preenchiam qualquer espaço vazio disponível, e uma vez que as cidades cresceram, se formaram uma única entidade híbrida constantemente mudando e evoluindo.

Com o aumento da mobilidade e do longo alcance dos sistemas de defesa a cidade rompeu seus limites, se dispersando, e a partir deste ponto, a metrópole moderna evoluiu, expandindo-se em estruturas individualizadas por toda a paisagem (3). A expansão que se desenvolveu abriu o acesso a uma nova divisão de terras, permitindo maiores e mais acessíveis propriedades fundiárias. As terras mais baratas não só removeram a pressão para que os programas compartilhassem o espaço e maximizassem a utilização das terras, mas também apresentou uma estratégia de delimitação e controle de grandes áreas. A dispersão de assentamentos e postos militares avançados foi um método dos Estados expandirem suas extensões de terra constantemente através da ocupação, um bom exemplo é o Império Romano. Mais tarde, a revolução da mobilidade trazida pela Era Industrial facilitou o advento da moderna teoria social de planejamento, promovendo a segregação das funções de vida, trabalho, compras e fabricação – não só em edifícios individuais, mas também em zonas exclusivas nas cidades.

A forma da cidade passou a ser definida por um planejamento funcional que ordenasse o controle de doenças, a poluição e principalmente o valor das terras.

Até o lançamento do catálogo de Joseph Fenton, em 1985, os edifícios híbridos tinham sido ignorados como um tipo único de edifício, geralmente agrupados em “mixed-use”. Fenton argumentou que havia uma nítida diferença entre as construções híbridas e de utilização mista, onde os programas individuais se relacionam e começam a compartilhar seus usos.

Torre Spina - ÁBALOS+SENTKIEWICZ, LEÓN LÓPEZ DE LA OSA

Torre Spina - ÁBALOS+SENTKIEWICZ, LEÓN LÓPEZ DE LA OSA

O conceito de hibridização veio da genética e refere-se à reprodução cruzada de espécies diferentes. Enquanto no passado, os usos foram muitas vezes combinados em uma única estrutura, por exemplo, a loja-casa ou a ponte habitada, como a Ponte Vecchio, o edifício híbrido em grande escala não aparece até o século XIX (4). A escalada dos valores dos terrenos nos centros das cidades exigiram novas formas de desenvolvimento. Estruturas de aço e a invenção do elevador, em meados do século, revolucionaram a construção e permitiu que as estruturas se verticalizassem assinalando a ascensão do arranha-céu. Com essas ferramentas, os arquitetos e construtores transferiram sua abordagem para a necessidade de construções especulativas com o máximo de volume e área útil para tornar mais valioso os bens imobiliários. Sua incapacidade para preencher as novas torres com uma única utilização levou a uma combinação de programas e através deste o surgimento dos edifícios híbridos(5).

O catálogo de Fenton apresenta uma seleção de exemplos americanos (e ele defende que eles têm evoluído fora das condições da metrópole americana) agrupando-as em:
Híbridos adaptados a volumetria imposta pela malha urbana da cidade;
Híbridos Enxertados que expressam cada programa como um volume distinto dentro da forma resultante do edifício;
Híbridos Monolíticos, onde os elementos programáticos são incluídos em um envelope contínuo (6).
Os edifícios híbridos se diferenciam de outros tipos de mega construções por se ajustarem a malha urbana e estarem contidos dentro de um único edifício.

Não podemos entretanto desprezar a influência dos códigos urbanísticos nesta evolução. A criação das normas de zoneamento de Nova York em 1916 limitaram a mistura de ‘usos funcionalmente incompatíveis’ em edifícios e em certas partes da cidade, designando bairros estritamente residenciais, retardando a evolução dos edifícios híbridos (7). Versões desta política foram adaptadas e estão ainda em uso em muitas cidades de todo o mundo,como as cidades brasileiras .

Atualmente, o aumento do valor dos terrenos, unida a um abandono de ideais de segregação urbana, assim como os avanços nas tecnologias ambientais, promoveram alterações nas leis, e agora promovem a mistura de funções, em uma tentativa de dinamizar a cidade.

Scala Tower - BIG

Scala Tower - BIG

O Retorno do Híbrido

A nova ordem profetizada pelo modernismo na realidade não foi capaz de, na prática, lidar com a complexidade da vida real. As críticas do pós-modernismo à esta situação trouxeram um  ressurgimento do interesse pela experimentação de novos programas e pelo desafio aos modelos tipológicos predominantes.

Mais importante ainda, o pensamento pós-estruturalista criou uma situação que permitia os conceitos dialéticos, e neste caso, as funções passam a co-existir e a se interligarem.

Vários escritores e arquitetos têm se ocupado nas últimas três décadas a explorar as implicações do programa na forma arquitetônica.

Rem Koolhaas, em especial, identificou as condições únicas dos Arranha-céus de Manhattan em seu livro “Nova York Delirante” (1978). Diferentemente do relato zoológico dos híbridos de Fenton, Koolhaas identificou uma qualidade genérica do arranha-céu, que permite uma quase infinita combinação de programas co-existirem em pisos separado (8).

O Downtown Athletic Club, que também aparece no catálogo de Fenton de edifícios híbridos, fascina Koolhaas, por sua “serenidade” e forma monolítica exterior escondendo o melhor do “congestionamento urbano” e é como “… um condensador social construtivista: uma máquina de gerar e intensificar as formas de relações humanas (9).”

Se olharmos para quase qualquer cidade do mundo de hoje, existe um constante fluxo na programação do tecido genérico da cidade, que permite estas justaposições e cujo desenho é quase impossível de controlar.
Estas primeiras observações têm repetidamente aparecido no trabalho de Koolhaas e seu escritório, o Office for Metropolitan Architecture (OMA). Nos experimentos como o Hyperbuilding (1996), que foi concebida como uma nova cidade dentro de um edifício ou mais recentemente em outros projetos de torres especulativas como em New Jersey. E embora tenha previamente defendido as grandes construções como “o melhor” da arquitetura, por si só a escala não é o pré-requisito para a concentração, e a crítica do OMA às tipologias usuais e a indeterminação dos programas foram introduzidas em seus edifícios menores e até em parques como foi o caso em seus projetos para a competição Parc de la Villette, em Paris e também para o Downsview Park em Toronto.

Nos últimos anos o interesse em técnicas híbridas voltam a surgir, em grande parte facilitadas por uma série de fatores econômicos e políticos. Em primeiro lugar, o boom imobiliário global impulsionado pelo crescimento econômico da China e do Médio Oriente criou um clima em que desenvolvedores estão cada vez mais interessados em maximizar as áreas construídas, buscando o melhor aproveitamento dos terrenos combinando múltiplos programas. No entanto, ao contrário de períodos anteriores, como na década de 1980 e no “dot com boom”, o ambiente é menos receptivo à especulação por ter aprendido as lições dos quilômetros quadrados de espaço para escritórios vazios que apareceram na recessão que se seguiu (10).

Atualmente, os inquilinos são procurados nas fases iniciais do processo de design (o chamado “venda na planta”), permitindo a captação de dinheiro antes da construção, permitindo que os grandes clientes possam estar envolvidos no processo de concepção, ao invés de simplesmente alugando contêineres vazios que deve adaptar-se mais tarde. Esta necessidade de criar espaços específicos está levando os arquitetos a resolver o programa ao invés de projetar o máximo de flexibilidade possível como antes.

Há também os desenvolvedores cada vez mais interessado no “estilo de vida”, eles entendem que a complexidade é inerente à cidade e à mistura de usos diferentes devem ser utilizados para estimular o que de outro modo seria apenas uma colagem de usos diversos.

Juntamente com isso, foram adicionadas recentemente as políticas destinadas a construção de novos bairros ou regenerar bairros existentes que exigem que os desenvolvedores incluam o uso misto e os programas públicos. Nesse sentido, o geógrafo Jane Jacobs enfatiza o papel central da diferenciação e da diversidade em tornar as cidades “que parecem cidades” (11), de modo que a heterogeneidade e os congestionamentos, que também fascinam Koolhaas, sejam usados na promoção de empreendimentos habitacionais novos, destacando a diversidade de experiências, práticas e pessoas. E, embora, infelizmente, estas imagens muitas vezes sejam apenas anúncios de panfletos e propagandas, os arquitetos têm a capacidade de defender idéias de usos mais distintos e de novas combinações de programas.

Juntamente com o desenvolvimento especulativo, os preços dos terrenos e dos custos de construção obrigaram muitas instituições cívicas, também afetadas por cortes de gastos que muitos governos estão sofrendo, a buscar novas formas de financiamento (12). Isto conduz normalmente a combinar usos tradicionais, como um museu ou biblioteca, com espaço comercial.

Às vezes basta simplesmente inserir alguma espaço para atividades de vendas ou eventos  acompanhando o programa principal para aumentar os lucros. Em outros casos mais extremos pode chegar ao combinar o museu, com lojas, habitações e escritórios para obter um rendimento máximo, ou simplesmente tornar o projeto viável. Neste sentido, o Seattle Art Museum projetado pela Allied Works é um bom exemplo: ele combina o museu com a sede de um banco, que financiou a operação através da construção de espaço flexível que pode acomodar outras utilizações no futuro. Um caso semelhante é o projeto Scala Tower, em Copenhague, do escritório BIG, que combina uma nova biblioteca pública com hotéis, lojas e escritórios.

Estes exemplos onde algumas aplicações beneficiam outras, para além das implicações espaciais da mistura de programas, estabelecem uma estreita relação entre cultura e comércio, indo para o plano financeiro. Essas grandes combinações de escala têm outra peculiaridade: cada programa é obrigado a ceder uma parcela de sua individualidade.

Como resultado, instalações públicas alojando até agora icônicos edifícios e monumentos ao redor da cidade começam a formar parte do tecido da cidade. Ao adicionar uma loja ou um café em um museu, ele não perde o seu caráter como um ícone, adicionando um edifício de 60 andares para uso com salas comerciais, hotéis e escritórios, o museu passa a fazer parte de um grande edifício icônico.

Muitos dos edifícios recentes ou propostas que prevêem a hibridação de usos ou qualquer tipo de “química” poderia ser ajustado para as categorias descritas por Fenton em seu catálogo. No entanto, esta classificação se deve mais à sua formalização final de estratégias de design. Por este motivo, deve-se classificar os híbridos com base em uma série de tendências que poderiam ser utilizadas como estratégia para lidar com a diversidade e densidade.

Bundle Tower - MASS STUDIO Bundle Tower – MASS STUDIO

Híbrido compacto

Esta é a tendência para reduzir a expressão formal de cada programa, e neste sentido não dominam a expressão moderna da função, como ocorre nos enxertados híbridos de Fenton. Esta abordagem permite a independência entre a imagem externa do edifício e sua organização interna programática está presente em todas as escalas, desde pequenas a grandes edifícios.

Cidades dentro de cidades


Este é o caso dos prédios híbridos que unem todos os usos de uma cidade inteira. Impulsionada pelo ritmo da construção no Oriente Médio e Ásia-Pacífico, os grandes edifícios fora dos centros urbanos hospedam um grande número de funções suficientes para torná-los auto-entidades independentes, necessário devido à sua localização remota. A necessidade de projetá-los com a diversidade presente na cidade os convertem em microorganismos ou edifícios-cidades. Além disso, quando o território circundante é um ambiente hostil como um deserto, estes edifícios apresentam um espaço protegido para os seus habitantes como se fazia na antiga cidade murada.

Existem inúmeros exemplos teóricos de tais híbridos, como o OMA Hyperbuilding ou utopias como a Sky City 100, Takenaka Corporation, um arranha-céu de 1.000 metros, habitada por 135.000 pessoas. Mais recentemente, e em construção, o híbrido de Steven Holl em Shenzhen e Pequim caberia dentro desta estratégia.

Estruturas Fundidas

Uma conseqüência dos altos edifícios arranha-céus é a complexidade de sua estrutura, cargas de vento muito forte e infra-estrutura necessária para prestar o serviço e permitir o acesso público. A torre única exige, cada vez mais, elevadores mais e mais rápidos, mais tubulações e instalações, o que é mais importante, uma estrutura capaz de sustentá-la. Por esta razão, os núcleos estruturais necessário consomem mais e mais espaço, fazendo com que os projetos sejam economicamente inviáveis. Uma solução para este problema é a deformação do núcleo estrutural e da pele exterior para triangular as cargas. Este é o método utilizado pela SOM para levantar a torre Burj Dubai, que será superior a 800 metros de altura.

Outra opção consiste em  agrupar  vários elementos ou torres, que juntos formam um único sistema. É o caso da Praça Museum, em Louisville, do escritório REX, que também usa essa estratégia para maximizar o uso de pequenas parcelas do terreno, diminuindo sua área no pavimento térreo, conectando as torres no 23° andar. Se cada parcela fosse utilizada individualmente, reduziria a escala, tanto estrutural quanto economica.

Justaposição Seccional e Indeterminação Espacial

Parece haver uma tendência geral em reduzir a programação específica das edificações, aumentando o seu nível de incerteza, levando à sobreposição de programas sobre o mesmo espaço. Segundo Koolhaas, a planta baixa era a protagonista quando apareceram os arranha-céus, enquanto hoje o papel principal são dos cortes e das perspectivas feitas pela computação gráfica tridimensional. Assim, a tradicional separação vertical, o resultado do empilhamento de plantas, está dando lugar à distribuição do mesmo programa em diferentes níveis, como nos projetos da OMA para a Biblioteca de Jussieu e da Biblioteca Pública de Seattle que, embora não combinem diferentes usos urbanos no interior, abrigam uma certa programação hibrida.

Paisagens Integradas

Estimulada em parte por incentivos do governo e em parte pelo interesse no espaço coletivo, muitos híbridos incorporam a esfera pública, adicionando a superfície da cidade à sua estrutura ou distribuído verticalmente em lugares altos, jardins e galerias. Assim, tanto o espaço público como a paisagem são hibridizados com outros usos urbanos.

É o caso do Office DA Kuwait Sports Clube de Tiro, onde um grande deck articula com muitos programas e espaços públicos em torno do edifício. Outros exemplos são baseados em uma série de volumes conectados ou paisagens construídas e espaços vazios, como o Projeto Arquitetônico Moussaka em Atenas, do JDS Arquitetos, ou Asane, em Bergen, do escritório Transform. Enquanto isso, o edifício Scala, do escritório BIG em Copenhague critica a “mudez” exterior das torres monolíticas e mistura a fachada do prédio com a rua e a praça adjacentes através de diversos terraços na fachada, o que torna a pele do edifício uma continuidade do espaço público.

Porque estamos interessados em tais tendências e no ressurgimento de híbridos na construção? Em primeiro lugar, as condições que permitiram e demandaram a evolução dos edifícios híbridos ocorreram simultaneamente com a constante renegociação e evolução do espaço público em relação à cidade, desde a cidade fortificada que protegia os civilizados do inexplorado, até o formalismo dos espaços públicos da cidade metropolitana, e até o atual momento, em uma nova definição de espaço público, disperso em um mundo interconectado.

Em alguns casos, esta evolução é paralela à crescente escassez de terra, a subida dos preços e a necessidade de colocar novos modelos de uso do solo urbano, combinando programas aparentemente, ou tradicionalmente incompatíveis. Em outros exemplos, a densidade e a diversidade que criam os híbridos podem ser utilizados como uma ferramenta para a regeneração dos centros, que devido ao crescimento dos subúrbios e da legislação restritiva foram abandonados, como os distritos de escritório lutando para sobreviver, cheia de edifícios com pouca ou nenhuma relação com o ambiente. A intensificação criada pela mistura de usos e do conjunto de funções públicas e privadas, e que integra o espaço urbano envolvente em edifícios novos, facilita a reintrodução da vida cívica nestes centros vagos. Contra o modelo funcionalista de um tamanho único para todos, essa visão considera a complexidade da cidade moderna que favorece que a condição híbrida exista, não só a nível de macro-programa, que reúne várias organismos distintos, mas na sua progressão de espaços individuais à escala urbana.

The Edge - RCR ARQUITECTES

The Edge - RCR ARQUITECTES

Notas

1 Holl, S. Foreword to Pamphlet Architecture no. 11: Hybrid Buildings, Princeton Architectural Press, New York, 1985, p.1
2 Nijenhuis, W. ‘City Frontiers and Their Disappearance’, Architectural Design, v. 64, n. 3/4, 1994, p.14
3 Nijenhuis, W. pp. 15-16
4 Fenton, J. ‘Hybrid Buildings’ in Pamphlet Architecture no. 11: Hybrid Buildings, Princeton Architectural Press, New York, 1985, p. 5
5 Fenton, p. 5
6 Fenton, p. 7
7  http://www.nyc.gov/html/dcp/html/zone/zonehis.shtml
8 Koolhaas, R. Delirious New York, Thames and Hudson, UK, 1978
9 Koolhaas, R. p. 128
10 Canary Wharf in London being a case in point
11 Jacobs, J. Hybrid Highrises, 2005, online papers archived by the Institute of Geography, School of Geosciences, University of Edinburgh
12 See: Newhouse, V., Towards A New Museum, New York: The Monacelli Press, 1998

Transport College

Saturday, August 1st, 2009

Neutelings-Riedijk Architects

Texto: A barriga de um arquitecto

Neutelings Riedijk Transport College

Neutelings Riedijk Transport College

Uma arquitetura de expressão provocadora. A obra de Willem Jan Neutelings e Michiel Riedijk é marcada por subversões, entre a apetência do mercado por edifícios icónicos e os limites da sua aceitação com gestos formais diversos do gosto estabelecido.
Um grande edifício para alojar funções educativas na área do transporte marítimo serve de estrutura programática a uma modelação volumétrica que se eleva a ícone vertical. O Colégio (Faculdade) de Navegação e Transportes afirma-se na paisagem construída de Roterdã através de uma torre principal com setenta metros, agregada ao corpo estendido da base edificada. A textura contínua das fachadas retira-lhe o sentido de escala, maximizando a expressividade das formas e a leitura tensa do edifício enquanto objeto. Em proximidade, a mesma pele exibe-se em padronização de ritmo e cor.
Uma arquitetura que se procura notável – uma escultura monolítica para celebrar a vivacidade do mundo urbano e referência necessária para refletir sobre o papel da arquitetura, impulsionadora ou refém das lógicas do mercado global. Mais fotos em: http://www.eikongraphia.com/?p=100

Área: 30.000,00 m2
Custo Total: € 40.000.000,00
Cliente: Shipping and Transport College

Fotos: Danda.be

Ponte Spencer Dock

Friday, July 24th, 2009

Dublin – Amanda Levete Architects

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Ponte Spencer

A ponte de 40 metros com suas linhas fluidas e superfícies ondulantes de concreto será utilizada para trens, automóveis e pedestres para atravessar o Canal Royal. As bordas da ponte se deslocam para baixo revelando um espaço para os pedestres descansarem, permitindo a vista das docas e de um Parque Linear que está atualmente em construção.

A parte inferior da ponte funde com o cais em um movimento único com um conjunto de linhas desenhadas no concreto, projetadas para acentuar a geometria da forma. O acabamento do concreto proporciona alta visibilidade em contraponto a escura água do canal, e à noite a estrutura será iluminada por baixo da ponte, marcando sua presença.

Como a proporção da ponte é incomum, o escritório tomou isso como uma oportunidade de trabalhar a ponte como uma escultura urbana. A suave geometria e assimetria do projeto cria uma infra-estrutura, que resolve a tensão entre forma e função.

A ponte é o elemento central da nova expanção da linha de metro do centro da cidade de Dublim, e faz parte de um grande projeto para a recuperação do interior da cidade e das extintas docas.

Construídos utilizando uma combinação de concreto branco e concreto premoldado armado, todas as bandejas da ponte são moldadas diretamente a partir de modelos 3D paramétricos. Este uso inovador do CNC para cortar poliestireno é hoje a maior aplicação do material usado desta forma. A ponte deverá estar plenamente operacional em 2010, para coincidir com a conclusão do Parque Linear.

Imagens: 010203040506

Mais fotos em http://dublin.iwai.ie/images/SpencerDock/

Phanton Tower

Friday, July 17th, 2009
Phanton Tower - Vinícius Sepúlveda

Phanton Tower - Vinícius Sepúlveda

O projeto da edificação comercial para a área portuária do Rio de Janeiro desenvolvida por Vinícius Sepúlveda é um exemplo da forte influência da computação gráfica na concepção arquitetônica. Através das ferramentas computacionais foi possível encontrar as formas orgânicas que atendessem as necessidades bioclimáticas, estruturais e estéticas desejadas. Vinícius é aluno da Universidade Estácio de Sá e seu projeto foi desenvolvido no primeiro semestre de 2009, sob orientação do arquiteto Carlos Murdoch.

“Inspirada na geografia característica do Rio de Janeiro e rodeada de montanhas, a Phanton Tower, surge como um elemento vertical que se funde com a Baía de Guanabara e todo seu firmamento criando um perfeito equilíbrio na região.
A sua forma aerodinâmica, com duas peles envolventes, é capaz de captar o vento predominante da região devido à sobreposição de placas de vidro como se fosse escamas de uma abertura na sua pele externa afim de arrefecer toda a torre.”

CHIPS – Alsop Architects

Monday, July 6th, 2009

Manchester, Reino Unido – 2009
Complexo residencial em New Islington
Artigo de Roberta Dragone de 18/06/2009 – www.archiportale.com

Residencial CHIPS - Alsop Arquitetos

Residencial CHIPS - Alsop Arquitetos

A composição dos três volumes (100 metros de comprimento e 14 metros de largura) dispostos ligeiramente escalonadas um sobre o outro resulta em uma única forma de nove níveis, um espaço utilizado para 142 unidades residenciais e ateliês.

Três cores foram escolhidas por Alsop para cada “chip”, o vermelho para o menor volume, lilás para a Central e amarelo para o mais alto. A cor escura do volume central é compensado pelo ritmo geométrico das janelas e por uma combinação de diferentes matizes de cores nas varandas.

O interior de cada apartamento está estruturado em torno de um núcleo central onde está localizada a cozinha e área de serviço. Sempre que possível, são utilizadas divisórias móveis ao invés de alvenarias, permitindo a criação de grandes áreas livres.

A rejeição do conceito de homogeneidade que caracteriza a arquitectura de Will Alsop é evidente também na concepção do projeto “CHIPS”, onde a largura das janelas e a geometria irregular da arquitetura externa gera diversas disposições dos espaços internos.

Foi dada grande atenção à questão da sustentabilidade. Graças a utilização da tecnologia de cogeração – que permite a produção de electricidade combinada com a geração de energia térmica a partir de um único sistema integrado, alimentado a partir de uma única fonte de energia primária (combustível) – e a implementação de um envelope do edifício energeticamente eficiente, o projeto tem sido classificado como “excelencia” pelo método de avaliação “EcoHomes”, elaborado pelo Sistema britânico de certificação energética BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method). Imagens: 01020304

www.alsoparchitects.com / www.urbansplash.co.uk